O Fantástico mistério de Feiurinha

Esta peça foi escrita por Pedro Bandeira, autor de inúmeros livros infantojuvenis e desta peça divertidíssima! Se a primeira postagem que fiz sugeriu um texto difícil de ler, pela linguagem nele utilizada, esta é fácil, seja pela linguagem, seja pelo fato de se tratar de personagens conhecidíssimos, princesas de diversos contos de fadas.

As fotos deste post são do acervo da autora, feitas com um grupo de alunos de Colégio Guilherme Dummont Villares.

A peça se passa muito tempo depois do “Felizes para sempre…” e mostra o que aconteceu com as princesas depois de muitos anos de casadas! Como muitos livros de Pedro Bandeira, existe um mistério a ser descoberto, que você só irá descobrir lendo a peça.

Para dar um gostinho de quero mais, aí vai um trecho do texto. Leia todo ele no link: http://www.bibliotecapedrobandeira.com.br/pdf/feiurinha.pdf

No salão do castelo, Dona Branca Encantado está sentada em sua cadeira de espaldar alto, tricotando um sapatinho de lã. Está visivelmente grávida. Entra Caio, o lacaio. Curva-se respeitosa e espalhafatosamente e anuncia:

Caio: Alteza, a senhorita Vermelho acaba de chegar ao castelo e pede…

Branca: Chapeuzinho Vermelho? Que ótimo! Peça que entre. Vamos, Caio, rápido!

Caio inclina-se, afasta-se um pouco e estende o braço, ainda inclinado, em direção à porta. Entra Dona Chapeuzinho Vermelho. O papel deve ser feito por uma atriz bem pequena, talvez algo gorducha, de boa veia cômica. Está vestida como Chapeuzinho Vermelho e traz pendurada no braço a famosa cestinha com os doces para a Vovó. Dona Branca corre para abraçar a amiga.

Branca: Chapeuzinho Vermelho! Querida! Há quanto tempo! Como vai a Vovozinha?

Chapéu: Branca!

As duas dão-se três beijinhos nas faces.

Chapéu: Um… dois… e três! Pra ver se eu caso, Branca! Ai, ai! Sou uma das poucas neste País das Fadas que não é princesa! Também… você sabe, não é?

Branca: Sei, Chapéu! A sua história terminou dizendo que você ia ser feliz para sempre ao lado da Vovozinha e o autor esqueceu de fazer aparecer um Príncipe Encantado no final pra casar com você. Por isso, você ficou encalhada…

Chapéu: Também não precisa falar assim… Eu estou solteira mas… Quem sabe, não é?

Branca: Ora, você tem a Vovó para lhe fazer companhia…

Chapéu: E quem quer uma avó caduca daquelas? Eu quero é um príncipe!

Dona Branca olha fixamente para Chapeuzinho, tentando confortá-la.

Branca: Coragem, Chapeuzinho!

Chapéu: Branca, por que você tem esses olhos tão grandes?

Branca: Ora, deixe de besteira, Chapéu!

Chapéu: Ahn… quer dizer… Desculpe, Branca. É que eu sempre me distraio… Sabe? Estou sempre pensando na minha história. Não fosse a falta do príncipe… A minha história é tão linda, com o Lobo Mau, tão terrível, e o Caçador, tão valente…

Branca: Até que a sua história é passável, Chapéu. Mas linda mesmo é a minha, que tem espelho mágico, maçã envenenada, bruxa malvada, anõezinhos e até caçador generoso!

Lelê Ancona

Professora de teatro desde 1986, tenho trabalhado em todos os níveis de ensino nos últimos 15 anos, principalmente com formação de professores. Minha graduação foi em Artes Visuais, na Faculdade Santa Marcelina, em SP, mas como já fazia teatro, fiz a Especialização em Teatro e Dança na ECA/USP, onde entrei em contato com os Jogos Teatrais da Viola Spolin, que foram marcantes para minhas escolhas como docente.

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